sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Manipular sonhos? (parte 3)

Não se assustou com o barulho embora no quarto estivesse totalmente silêncio e apenas o ruído de sua respiração parecia ensurdecedor. Começou a pensar naquela mulher que tinha visto anteriormente. Cabelos abaixo do ombro, escuros, olhos brilhantes como a de uma criança ao ver um espetáculo de fogos na beira da praia numa virada de ano. Seu sorriso era lindo, inesquecível. Era tanto que estava pensando nela naquele momento. Por alguns instantes sem a sua consciência, o tempo parava e aquele minuto em que parecia ser tão rápido, se tornava uma eternidade. Tudo ficava tão lento que não havia mais ninguém ali naquele momento. Apenas seus olhos e a boca dela. Lentamente foi pegando no sono sem precisar da ajuda dos comprimidos que tomava todas as noites para não precisar pensar em manipular seus sonhos. Isso tudo para ele era uma viagem sem sentido. Manipular os sonhos. Quem se importaria com uma besteira dessas? Quem acreditaria que isso seja possível. Não seria ele o louco de achar que todos lhe apontariam como louco se descobrissem uma coisa dessas. Sem perceber, traços finos começaram a passar em sua frente como plumas que voassem e no seu caminho deixassem marcas formando alguma coisa. Cada vez que abria lentamente os olhos os traços ficavam mais fortes. Como seria possível? Você está dormindo! Os traços faziam parte do sonho. E a realidade era mais viva. Um barulho se fez.

A cama levemente se inclinou como se alguém sentasse ao seu lado.
(continua...)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"Morte de minuto" (parte 2)

Alguns minutos antes, não conseguia sentir suas pernas, apenas uma vontade incontrolável de rir e chorar ao mesmo tempo. Sentimento esse que não podia escolher durante a morte de minuto. Esse foi o nome que deu para esse momento. "Morte de minuto". Será porque dura apenas um minuto? Ou porque geralmente as pessoas acham que um minuto é pouco tempo para se esperar? O minuto pode ser pouco como pode ser muito. Depende do que se faz com ele. Sentou na cama baixa onde tinha um colchão fino e frio. Apenas um lençol fino, cinza e rasgado separava sua pele desse pedaço de espuma. Com as luzes apagadas desde a mudança de cômodo, relaxou e soltou o tronco até que sua nuca encostasse no colchão fino, sentindo uma leve dor ao pegar no estrado.

O relógio na parede marcava 22h46...
(continua...)

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