Caminhando, passa por um bar vazio. Apenas um
senhor sentado à mesa, lá no fundo conversando com ele mesmo. Ele entra no bar,
vai até o balcão e pede um cigarro e uma lata de cerveja.
- Cigarro
não tem. Você vai querer a cerveja? Diz o dono do bar.
- Sim.
Olha rapidamente para o senhor no fundo e
percebe que está fumando. Pega a lata de cerveja, e retira do bolso todas as
moedas que tem.
- R$
0,50 + 0,10 + 0,25 + 0,10 + 0,05 + 0,25. Tenho apenas 1,25. Fique com a
cerveja.
Em seguida ouve um barulho de moeda caindo
próximo ao seu pé. Quando olha para baixo, R$ 0,50 centavos vindo da mesa do
fundo. Ele paga a cerveja, e vai em direção a mesa e devolve o troco.
Ele puxa uma cadeira da mesa ao lado e senta.
O velho lhe diz:
- Desculpe
a intromissão, só queria ajudar.
Jogando as moedas em cima da mesa, agradece e
toma um gole da cerveja quente.
- Eu
sou o Pedro. Qual é o seu nome?
O velho fica em silêncio. Ergue a cabeça e
olha dentro dos seus olhos.
- Olha
rapaz, não quero a sua amizade, não quero ser simpático. Apenas quero conversar
um pouco. Eu sei que, quando você se levantar dessa mesa, não vai lembrar o meu
nome, se é que ainda se lembra.
- Você
não me disse o seu nome! Mas obrigado pela gentileza. Não precisava ter feito
aquilo. Por que fez?
- Já
passei por situações diversas rapaz. Uma delas foi idêntica a essa, sempre
tinha alguém pra me socorrer. Porque não ajudarei alguém que precisa? Vai.
Pegue um cigarro. Sei que você está sem.
- Como
sabe? Não sabe nem o meu nome!
-
Quais foram as primeiras palavras que você disse ao chegar nesse bar?
Pensou por um tempo.
– Não
sei. Pedi a cerveja, acho.
-
Preciso de um cigarro e uma cerveja. Foi isso que você disse – Retrucou o velho
voltando a olhar para o copo. Sabe, as vezes estamos tão cheios de coisas
fúteis na cabeça que não percebemos as coisas simples que fazemos. Pedir um
cigarro e uma cerveja no bar e depois de 7 minutos não se lembrar? Comece a se
preocupar.
- Com
o que?
- Não
sei, mas se preocupe.
Pegou o maço de cima da mesa e tirou um
cigarro. Acendeu com a bituca do cigarro do velho. Deu a primeira tragada como
se aquela fosse a ultima vez que estivesse respirando.
(continua...)
(continua...)



