sexta-feira, 24 de junho de 2011

Enfim o mundo real (parte 5)

O sol clareia o quarto no dia seguinte. O calor insuportável fez que o colchão ficasse molhado de suor. Sonolento ele, quase sem se mexer, estica o braço e pega o maço com o último cigarro que estava na cabeceira da cama, ao lado do relógio. Já eram 13:31 da tarde.

Fuma o cigarro pensando no que acontecera na noite passada. Tentava se lembrar de detalhes. Detalhes que não aconteceram. Foi tudo tão rápido. Lembrou-se perfeitamente do rosto da garota. Seu olhar brilhante. Deixando de lado essa besteira com medo de estar louco, veste-se com uma roupa qualquer. Jeans desbotado, camiseta branca simples e um tênis rasgado. Ao sair do apartamento, vê um mundo que jamais imaginou existir. Carros passando, pessoas indo para todos os lados. Barulhos dos mais diversos. Decide fechar os olhos e começar a girar em círculos em cima da calçada. Ao parar, abre os olhos novamente.

- É nesta direção que vou.

(continua...)

domingo, 29 de maio de 2011

Uma visita inesperada (parte 4)

Naquele momento não havia apenas o ruído de sua respiração. Outra respiração se entrelaçava complicando a si mesmo. Aqueles lábios, aqueles olhos brilhantes estavam ali. Olhando para ele como se não tivesse nada alem do colchão fino coberto pelo lençol cinza e rasgado.
- Tudo que queremos, podemos, se assim fizermos como nos mandam - disse a garota sentada.
Rapidamente ele se levantou e deu com as costas em um armário que fica encostado no canto esquerdo do quarto.
- O que faz aqui? Perguntou ele sem se quer abrir a boca. Essas palavras ecoavam de suas narinas e ele não tinha o controle delas. Nem se quer havia pensado que as letras O, Q, U, E, F, A, Z, I formasse uma frase. Quem diria ainda uma pergunta. Geralmente uma pergunta se faz para alguém que você quer que responda.
Assustado, abaixou-se até o chão para ver se podia tocar com as mãos o carpete. Ficou mais feliz quando percebeu que conseguia. Mas em menos de um minuto, se levantou esfregando suas mãos na roupa rapidamente para tirar a sujeira que havia grudado nos dedos.
- Sujeira? disse ela ainda sentada, apenas observando a cena.
- Que sujeira?
- Essa em suas mãos. Não vai me dizer que não está vendo?
- Não.
- Então porque está limpando-as em sua roupa?
- Quem está limpando?
- Eu.

No momento em que ela falou "eu", lá estava atrás dele, abraçada ao seu corpo. O relógio marcava 22:47.

(continua...)