domingo, 29 de julho de 2007

Numa cadeira vazia cabe tudo! (parte 1)

“Levante.
Aproveite para se vestir enquanto ainda pode.
Seja rápido.
Logo não sentirá mais o seu corpo.
Segure nas paredes.
Agora o que tem a fazer é chorar, essa é sua hora. Pouco a pouco verá muitas coisas passando pela sua cabeça, mas nada além do que já viveu. Nada além do que já sofreu. Sorrisos podem vir, assim como lágrimas amargas e salgadas. O gosto de sangue que sentiu certa vez passará pela sua garganta. Realmente, chegou à hora.”


Isso é tudo que realmente ele sentiu a levantar-se de uma cadeira onde esperava a pessoa dos seus sonhos. Sonho que logo mais iria sonhar sem saber o que realmente iria esperar. Cada noite ele pensava em algo diferente. Tentava sempre manipular seus sonhos. Certa vez um velho, negro, 67 anos, cabelos curtos, olhos negros (mais pareciam claros pela luz que refletia de um quadro pendurado na parede). No quadro existiam duas pessoas. Abraçadas pareciam ser da família. Uma casinha de madeira atrás e uma lua jamais vista por olhos humanos. O velho com a voz rouca e tossida pelo pigarro do cigarro lhe dizia: “O sonho nada mais é do que a última coisa lembrada do seu subconsciente! Você pode manipular seus sonhos e sonhar o que quiser. Basta se concentrar no que deseja e pensar, pensar até não conseguir pensar mais. Essa informação entrará para o seu cérebro e continuará sem que você perceba, tão rápido que pode durar 3 segundos, como podem durar 8 horas insanas e cansativas. Só depende de você”.

Saiu então do cômodo em que estava e caminhou normalmente ao quarto.
(continua...)

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Um comentário:

Jéssika Vieira disse...
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